Sobre o Bom Uso do Tempo

Aprendi o valor de longos blocos de tempo. Sabe, é difícil fazer algo de valor quando se trabalha picotado: 15 minutos em ação seguidos por uma distração qualquer. E distrações não faltam: conversas, redes sociais, YouTube, smartphone…Cheguei à conclusão de que quem não protege o próprio tempo vive fragmentado.

E isso tem graves consequências. Dados os efeitos da atenção residual, toda interrupção piora a nossa produtividade, porque não conseguimos trocar de tarefa como um computador faria: levamos alguns bons minutos para realmente esquecer a interrupção.

Quando você checa o whatsapp no meio de um reunião, seu cérebro não consegue mais prestar toda a atenção nas pessoas ao seu redor. Parte da sua atenção está dominada pela interrupção, mesmo depois de guardar o celular no bolso.

Rascunho Zero e Ganhos Incrementais

Mas inspirado por Peter Drucker em seu clássico livro “O Gestor Eficaz”, percebi que existem algumas formas de contornar o problema. No caso, apliquei isso enquanto produzia uma nova música.

A ideia é a seguinte: para concretizar as primeiras ideias, cultivar um entendimento real da questão e criar um esboço, é imprescindível o uso de longos blocos de tempo sem interrupções. Leva tempo, e as primeiras horas são um sacrifício necessário na criação de um bom trabalho.

Se tudo der certo, você termina essas primeiras horas com um rascunho zero.

A partir disso, é possível progredir com períodos curtos e incrementais de trabalho, de 15 minutos até 1 hora.

No meu caso, levei algumas horas testando ideias, e buscando ritmos, melodias e harmonias que agradassem. Com isso definido, eu tinha meu rascunho zero musical.

Então, reservei algum tempo pelas manhãs para fazer pequenos ajustes e desenvolvimentos. Nunca trabalhei mais do que 1 hora por dia, e na média foram apenas 30 minutos diários por 2 semanas.

Em algumas iterações uma música tomou forma. E o Windows continua desativado…

Um dia eu criava uma linha alternativa de baixo.

Num outro eu colocava um violino para harmonizar ao fundo.

Com alguns blocos musicais em mãos, passei a estruturar o arranjo. Introdução, verso, refrão, essas coisas… Usei algumas manhãs para as transições entre as partes, as viradas de bateria, etc.

Tiveram dias em desfiz parte do progresso, apaguei alguns instrumentos e quase recomecei. Mas nunca do zero. As principais intenções e ideias já estavam definidas. Era tudo uma questão de ajustes acumulativos.

Aparentemente, pequenos esforços se acumulam de forma exponencial. O importante é ter consistência.

Nos últimos dias, fiz pequenos retoques, efeitos e mixagem.

O Processo é Tudo!

Voilá, uma música nasceu. E no final das contas, tudo foi orientado ao processo, e não ao produto. Paciência, consistência e um uso adequado do tempo.

Em breve vou compartilhar essa música por aqui. Enquanto isso, ficam os aprendizados que tive:

Valorize e cuide do seu tempo e atenção.

Busque consistência e disciplina, pois a motivação é efêmera.

O tempo cuida do resto.

1 resposta a “Sobre o Bom Uso do Tempo”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *