Maravilhas e Perigos Digitais

Quando penso na minha relação com a tecnologia, logo lembro da minha mãe. Ela conta histórias sobre meus pés balançando sem encostar no chão, enquanto decifrava um computador sem saber ler.

“Você sabe abrir um desenho novo?” – ela pergunta.

“É fácil mãe! É só clicar aqui.” – respondo como se tivesse nascido com cordão umbilical em USB.

Tenho certeza que muitos se identificam com essa história.

Acostumados com um mundo digital, é fácil esquecer do poder de um computador. Junto do fogo, eletricidade e da bomba atômica, os computadores e a internet fazem parte do panteão de deuses e demônios criados pela Homo Sapiens.

Um instrumento musical? Um pincel mágico? Uma sala de debates? Uma lobotomia em marcha lenta? Temos uma calculadora megalomaníaca que pode ser tudo isso e muito mais. Anjo ou demônio, arte ou guerra. A diferença está em nossas estratégias e intenções.

Sou aficionado por tecnologia. Passo horas sem arrependimento na frente de um computador. Mas as vezes também tenho minha energia e atenção drenadas.

A vida pede por mais oxigênio, menos silício.

Que tal deixar o celular na mesa quando sair para almoçar?

É um fino equilíbrio, uma dança na corda bamba. Queremos ser produtivos, aprender novas ideias e usar a tecnologia em todo seu potencial como forma de criação. Mas devemos proteger nossa atenção, delicada e preciosa como uma flor.

Como fazer isso? Não trago respostas. Mas tenho um bocado de perguntas.

Então, vamos fechar os olhos e as telas. Mergulhar na curiosidade. Não quero ser ferramenta. Quero usá-las para explorar a mente e o mundo.

O que faz uma dia valer a pena?

Criança vestida de super-herói com a mão para o alto
Use a tecnologia, mas não seja usado por ela.

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